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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010, 11:45:18

Dinossauros e calouros - Por: Marcos Wink

Os colegas oriundos do concurso de 2004 criaram um grupo de discussão para tratar, num primeiro momento, do reenquadramento. Do grupo, participavam policiais de todas as categorias funcionais, desde que integrassem a terceira classe.

O debate foi produtivo e serviu como instrumento de pressão para que as entidades de classe priorizassem essa demanda. A Fenapef e os Sinpefs adotaram a bandeira e investiram nessa luta, usando o prestígio político e – sobretudo - a capacidade de mobilização da nossa categoria.

Quem participou e foi para o sol, pode constatar que muitos policiais que ali estavam eram antigos. Logo, homens e mulheres que não buscavam outra coisa senão a união de todos os policiais. Saímos vitoriosos. Essa vitória foi de todos.

Ao retomarmos nossas lutas pela lei orgânica, campanha salarial e contra PECs separatistas, fomos surpreendidos por um debate inócuo. Alguns, beirando a falta de civilidade, chegaram a adjetivar, com termos chulos, entidades e pessoas que labutam no movimento sindical. Até preconceito e discriminação em razão da faixa etária se revelaram.

Ser novo, antigo ou antigão não é mérito nem demérito. O que importa é que somos todos policiais. Uns mais experientes, outros mais voluntariosos. Uns mais fortes, outros nem tanto, mas todos virtuosos pelo exercício de nosso mister. Os antigos já foram novos. Aliás, policiais bem mais novos, porque naquela época entrávamos com idade entre 19 e 26 anos.



A despeito de toda a dificuldade que nos foi imposta, a começar pelo regime da época, incluindo o famigerado AI-5, péssimas condições de trabalho e salários irrisórios, aquela geração de “dinossauros” ajudou a construir a nossa Polícia Federal.



Enquanto policiais, fizemos nosso trabalho na rua, com a cara e a coragem. Da mesma forma no movimento sindical. Aqui, muitos responderam processos criminais e disciplinares. Alguns foram punidos, um demitido.



Foi dessa forma que criamos entidades sindicais fortes e transformamos a PF. Tudo isso, para prestarmos um bom serviço à sociedade e para que os calouros que aqui chegassem não experimentassem o que vivemos.



Transformamos os revólveres da marca Ina, 5 tiros, em pistolas Glock. Fuscas e Brasílias em Toyotas e Mitisubishis. Alguns casebres em belos prédios. Conquistamos melhores salários. Enfim, fizemos muito pelas gerações que nos sucedem. Que os novos tenham isso bem presente, para que também possam construir suas histórias e deixar um legado positivo a seus sucessores.



O motivo da discórdia se deu em torno da campanha salarial. Ou melhor: em decorrência do desconhecimento gerado por informações truncadas. A Fenapef não construiu tabela. Na negociação feita no Ministério da Justiça, tivemos contemplada a exigência que o último nível de agentes, escrivães e papiloscopistas ficasse no mesmo patamar salarial de delegados e peritos de segunda classe.



Assim foi encaminhado o anteprojeto ao MPOG. Naquele ministério é que será travado o debate acerca de índices. Não restam dúvidas que vamos buscar o maior subsídio possível, mas não abriremos mão daquilo que já conquistamos no MJ.



Nossa missão, enquanto maior entidade representativa, será abrir a negociação. Para isso, fizemos gestões junto ao ministro Tarso Genro, que assumiu compromissos com os policiais federais.



A luta da Lei Orgânica é importantíssima, inclusive pela questão salarial. Temos que modernizar a PF, unir os cargos de APF, EPF e PPF e melhorar suas atribuições.



A Constituição Federal prevê que a fixação dos padrões de vencimento do sistema remuneratório deve levar em conta a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira; os requisitos para a investidura e as peculiaridades dos cargos.



Vamos aceitar como atribuição tão somente “executar”? Claro que não! Nesse quesito os delegados estão claramente posicionados contra nossos interesses. Não querem abrir espaço. Os nossos colegas antigos e um grande número de novos já estão nessa luta. Será fundamental que todos estejam, que cobrem dos novos delegados posição favorável. Peçam a eles que convençam sua entidade representativa. Só assim teremos união dentro da PF.



As diretorias da Fenapef e de vários sindicatos são compostas por servidores de diferentes gerações. Inclusive, dois dos atuais diretores ingressaram no concurso de 2004. Três presidentes de sindicatos também são da mesma época. O espaço está aberto. Os novos têm que se apresentar, debater e disputar. A federação e os sindicatos têm a democracia como princípio em seus estatutos.



Para concluir, vale lembrar que os antigos sempre serão maioria. Um novo concurso selecionou uma nova turma que está sendo formada. Daqui a quatro meses, novos colegas tomarão posse. Logo, os ditos novos de hoje, que já não estão mais na classe inicial, serão antigos. Portanto, sejam bem-vindos. Entrem nas nossas lutas. Identifiquem quem realmente está contra nós. Aquele que não é sindicalizado, que se associe.



A guerra da Lei Orgânica e da campanha salarial se avizinham.Todos são importantes para que alcancemos nossos objetivos.

Marcos Wink é presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais


Fonte: Agência Fenapef


 
 
 

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